Moçambola

Promotoria pede até 12 anos de prisão para equipe que cuidava de Maradona

A Promotoria pediu, nesta quinta-feira (8), penas de quatro a 12 anos de prisão para a maioria dos integrantes da equipe médica que assistiu ao astro do futebol Diego Maradona durante a internação domiciliar anterior à sua morte, ocorrida em 2020 na Argentina.

O promotor Patricio Ferrari solicitou penas de 12 anos de prisão para o médico pessoal de Maradona, Leopoldo Luque; 10 anos para a coordenadora da empresa de assistência médica privada, Nancy Forlini; e oito anos para a psiquiatra dele, Agustina Cosachov.

Além disso, pediu a inabilitação profissional deles por 10 anos.

Os três foram acusados de homicídio com dolo eventual, uma figura jurídica que implica que eles tinham consciência de que suas ações ou omissões poderiam levar à morte do jogador.

“Tendo previsto o risco e o aceitado, produziram o resultado com indiferença”, disse Ferrari ao iniciar, nesta quinta-feira, a fase de alegações finais do julgamento, que já dura sete meses na cidade de San Isidro, ao norte de Buenos Aires.

Outros três integrantes da equipe médica — um psicólogo, um enfermeiro e o coordenador da enfermagem — foram acusados de homicídio culposo (sem intenção de matar).

Patricio Ferrari pediu penas de cinco anos de prisão para o psicólogo e de quatro anos para os outros dois acusados.

O promotor ressaltou que, no caso deles, o julgamento não comprovou indiferença, mas sim um “conjunto de ações negligentes e imprudentes”.

Ferrari se absteve de pedir a prisão imediata dos acusados, caso fossem considerados culpados, mas solicitou que fossem impedidos de sair do país.

A promotoria decidiu não apresentar denúncia contra um sétimo acusado, o médico clínico Pedro Di Spagna.

“Não consigo acreditar, ainda não caiu a ficha”, exclamou Di Spagna a jornalistas após ouvir o pedido de absolvição feito pela promotoria.

‘Evitável’

Os promotores exibiram mais uma vez as fotos de Maradona já falecido. Suas filhas Dalma, Gianinna e Jana, presentes na sala, não conseguiram conter o choro nesse momento.

“A morte era evitável e o atendimento médico foi inadequado”, disse em sua alegação o outro promotor do caso, Cosme Iribarren.

Maradona morreu aos 60 anos no dia 25 de novembro de 2020, em decorrência de um edema pulmonar e uma parada cardiorrespiratória durante uma internação domiciliar em Tigre, na região metropolitana de Buenos Aires.

O astro se recuperava de uma cirurgia bem-sucedida para tratar um hematoma subdural na cabeça.

‘À própria sorte’

Segundo Patricio Ferrari, os integrantes da equipe médica “infringiram os deveres de seu cargo, praticaram ações contrárias à arte de curar, omitiram todos os atos que deveriam executar e colocaram Maradona em uma situação de desamparo, deixando-o à própria sorte”.

“Havia um grupo de improvisados que em todo momento esqueceu que estava cuidando de um paciente vulnerável e complexo”, disse Ferrari.

Fernando Burlando, advogado de duas das filhas de Maradona, disse a jornalistas na porta do tribunal que as alegações dos promotores haviam sido “brilhantes”.

Os acusados alegam inocência. Após as alegações, o advogado da psiquiatra Cosachov considerou que “não está provado o dolo eventual” no caso dela.

“É um ponto fraco da argumentação da promotoria”, disse à AFP o advogado de defesa Vadim Mischanchuk.

Após quase 45 audiências e mais de 100 depoimentos, entre testemunhas e acusados, “o núcleo central da acusação permaneceu intacto”, segundo o promotor.

O julgamento entrou nesta quinta-feira em sua reta final, com o início das alegações da promotoria e das partes acusadoras, cuja duração prevista é de duas semanas.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo