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UEFA comemora recuo da Fifa e afirma que Infantino ‘perdeu a confiança’ da entidade

Presidente da Fifa, Gianni Infantino, abandona plano de vender participação em subsidiária avaliada em US$ 20 bi
Dylan Martinez/Reuters – 19.07.2026

A UEFA elevou o tom contra Gianni Infantino, mesmo após a Fifa desistir da criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa que receberia investimento privado.

Em comunicado divulgado neste sábado (1º), a entidade afirmou que a atual liderança da Fifa “perdeu a confiança” da confederação europeia e de “muitos outros membros da família do futebol”.

A manifestação foi divulgada um dia depois de a Fifa retirar a proposta do projeto idealizado por Infantino, que previa a criação de uma empresa para receber investimentos privados e administrar os ativos comerciais das principais competições da entidade, incluindo a Copa do Mundo.

Embora tenha saudado a decisão de abandonar o projeto, a UEFA deixou claro que considera o episódio um reflexo de problemas mais profundos na gestão da Fifa.

“A UEFA saúda a decisão da Fifa de retirar o plano de vender uma participação nas suas competições — incluindo a Copa do Mundo — a investidores privados”, afirmou a entidade.

Na sequência, porém, endureceu o discurso e cobrou mudanças na forma como a entidade máxima do futebol conduz decisões estratégicas.

“Não podemos continuar convivendo com planos secretos, conduzidos às pressas, elaborados por pessoas sem rosto e de benefício duvidoso para o futebol. Precisamos identificar os responsáveis e responsabilizá-los.”

A confederação também defendeu uma revisão “profunda e estrutural” da governança da Fifa e afirmou que nenhuma possibilidade deve ser descartada durante esse processo.

O trecho mais incisivo da nota foi direcionado à liderança de Infantino. “A atual liderança da Fifa perdeu não apenas a confiança da UEFA, mas também a de muitos outros membros da família do futebol.”

A UEFA ainda relembrou promessas feitas por Infantino durante a campanha que o elegeu presidente da Fifa, em 2016. Segundo a entidade, o dirigente não cumpriu o compromisso de conduzir uma gestão transparente nem de utilizar os recursos em benefício do desenvolvimento do futebol.

“Em ambas as promessas, ele falhou”, escreveu a confederação.

AFC pede mais diálogo

A Confederação Asiática de Futebol (AFC) também se manifestou após a retirada da proposta. Em nota, o presidente da entidade, Shaikh Salman bin Ebrahim Al Khalifa, afirmou esperar que futuras iniciativas com potencial para impactar o futebol mundial sejam apresentadas e discutidas “de forma oportuna, transparente e significativa” com as confederações, o Conselho da Fifa, as associações nacionais e os demais envolvidos.

“O futuro do futebol mundial deve ser sempre construído por meio de consultas adequadas, diálogo coletivo e respeito às estruturas de governança já estabelecidas no nosso esporte”, afirmou o dirigente.

Shaikh Salman também agradeceu às associações nacionais da Ásia pela “paciência, solidariedade e união” demonstradas durante o debate sobre a proposta, reforçando que a AFC continuará atuando em defesa dos interesses de suas federações filiadas.


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